sábado, 5 de janeiro de 2013

Os Portões do Inferno

   A concepção do inferno é algo que recheia muito o imaginário humano. Podemos percebê-la nas diversas formas de expressão da arte e mesmo na representação da realidade, como na condição em que se encontram os diversos sentimentos das pessoas em alguns momentos de suas vidas. Mas a definição do termo 'inferno' tem na sua essência a concepção religiosa dos cristãos, e seria um lugar para onde vão as almas dos pecadores após a morte. Ao defini-lo desta forma, logo nos chegam à mente também os conceitos de 'paraíso' e de 'purgatório'. Ainda hoje é difícil dizer em que âmbito se deve discutir estas percepções: científico? Fé? Enquanto não se tem uma resposta completa por parte de um dos lados, é fato que, na arte, a representação de um imaginário é sempre cabal e quase nos dá certeza da existência desta ideia em nossas vidas. Mas, será que estas compreensões somente se aplicam quando se remete à fé de cada um? Será que os milagres, que são eventos transcendentais que não se explicam pelas leis da natureza, serão sempre inexplicáveis? Dependem sempre dos conceitos e crenças de cada um? Será que é apenas uma questão de interpretação, e, como na relatividade, depende do modo como se vê? Se quantificados, sou levado a crer que dia após dia pequenos e grandes milagres acontecem nas vidas de pessoas distantes, próximas e mesmo em nós mesmos... Depende de como isto tudo é percebido e apreendido por nossas concepções, nos mais diversos campos.


Santuário de Fátima, em Portugal

   Em Portugal, Fátima, uma cidade que é sede de freguesia (a menor divisão administrativa naquele país, o que geralmente corresponde a paróquia civil em outros países), subdivisão do concelho de Ourém (em Portugal, concelho é uma divisão territorial administrada por um município), abriga um Santuário dos mais famosos dentre os marianos pelo mundo. Este Santuário se localiza na Cova da Iria, localidade em que, segunda a Igreja Católica, a Nossa Senhora do Rosário apareceu para três pequenos pastores em 1917. No ano anterior ao das aparições de Nossa Senhora, o Anjo da Paz apareceu a Jacinta Marto (7 anos de idade), Francisco Marto (9 anos) e Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos). Jacinta e Francisco eram irmãos, e Lúcia era prima destes. A partir de 13 de maio de 1917, a Nossa Senhora apareceria a cada mês, sempre no dia 13, aos três pequenos pastores, em uma azinheira que tinha pouco mais de um metro de altura na Cova da Iria; em suas aparições, a Nossa Senhora sempre pedia que eles deveriam rezar bastante para a salvação das almas e ia revelando alguns eventos, que posteriormente passaram a fazer parte do 'segredo de Fátima', interpretado como tendo três partes. Algumas das interpretações que se seguiram foram o fim da Primeira Guerra Mundial, o fim do Comunismo e o atentado ao papa João Paulo II em 13 de maio de 1981 no Vaticano. Nossa Senhora também revelou que dois dos pequenos pastores, Jacinta e Francisco, em breve estariam com ela no paraíso... Isto realmente veio a acontecer, já que Francisco morreu em 1919 e Jacinta em 1920, ambos vítimas de complicações do que hoje é conhecida por Gripe Espanhola, que se alastrou pelo continente europeu a partir do fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918. 


Os três pequenos pastores da Cova da Iria: Lúcia de Jesus, Francisco Marto e
Jacinta Marto (da esquerda para a direita)

   Mas nisto tudo, dois eventos são dignos de nota para os fins desta postagem. Na terceira aparição de Nossa Senhora, em 13 de julho de 1917, nos relatos da irmã Lúcia (a única que sobreviveu por mais tempo entre os três pequenos pastores e que seguiu a vida eclesiástica) em suas Memórias (publicadas em quatro partes e fonte de muito do que se sabe das aparições e do segredo de Fátima), está escrito que 'mostrou-se um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que d'elas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros.'. Esta foi a descrição de um dos eventos na primeira parte do segredo, e foi tida como 'A Visão do Inferno', sendo uma das provas de sua existência... 


Foto do dia do 'Milagre do Sol'

Foto do dia do 'Milagre do Sol'

Nossa Senhora do Rosário e os três pequenos pastores

Representação do 'Milagre do Sol'

   Outro importante evento se deu na última aparição, em 13 de outubro de 1917. Ora, conforme os pequenos pastores compareciam às aparições previamente marcadas, e por serem crianças, não conseguiam guardar segredo durante todo o tempo... Tanto foi assim que, na aparição de 13 de agosto, as crianças não compareceram à azinheira porque estavam sob poder do então administrador do concelho de Ourém, Artur de Oliveira Santos, a responder questionamentos em investigação sobre as aparições e sobre o segredo; as crianças somente compareceram no dia 19 de agosto à aparição daquele mês. Mas, com as pessoas do local e das redondezas já sabendo ou suspeitando do que se passava por ali, e com a Nossa Senhora tendo anunciado que realizaria um milagre no dia 13 de outubro, estima-se que em torno de 70 mil pessoas compareceram à Cova da Iria naquele dia. Em um dia bastante chuvoso e cinzento, relata-se que, naquele dia, ao que parece por volta das 13 horas e 30 minutos locais, 'a chuva que caía cessou, as nuvens entreabriram-se, deixando ver o sol, que se assemelhava a um disco de prata fosca, e que podia ser fitado sem dificuldade, sem risco de cegueira. A imensa bola começou a girar vertiginosamente sobre si mesma como uma roda de fogo. Depois, os seus bordos tornaram-se escarlates e deslizou no céu, como um redemoinho, espargindo chamas vermelhas de fogo. Essa luz refletia-se no solo, nas árvores, nas próprias faces das pessoas e nas roupas, tomando tonalidade brilhantes e diferentes cores. Animados três vezes por um movimento louco, o globo de fogo pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em ziguezague sobre a multidão aterrorizada. Tudo durou uns dez minutos. Finalmente, o sol voltou em ziguezague para o seu lugar e ficou novamente tranquilo e brilhante. Muitas pessoas notaram que as suas roupas, ensopadas pela chuva, tinham secado subitamente. Tal fenômeno foi testemunhado por milhares de pessoas, até mesmo por outras que se encontravam a quilômetros do lugar das aparições. O relato foi publicado na imprensa por diversos jornalistas que para ali se deslocaram e que foram, também eles, testemunhas.' Este evento ficou conhecido como 'O Milagre do Sol'. Este foi intensamente estudado por José de Almeida Garrett, professor de Ciências Naturais da Universidade de Coimbra e um dos que presenciaram o episódio. Alguns estudiosos também afirmam que esta foi outra espécie de prova da existência do inferno.


Santuário de Fátima (à esquerda, a Capelinha das Aparições)

Basílica da Santíssima Trindade

Azinheira Grande (no local onde havia a azinheira em que se davam as aparições)

Basílica de Nossa Senhora do Rosário (ao fundo) e Monumento ao Sagrado Coração de Jesus (mais adiante)

Parte do Muro de Berlim (está em Fátima como prova do segundo segredo, o fim do comunismo)

Escultura do papa João Paulo II (em Fátima)

   Diante de toda esta descrição de eventos que remetem muito ao lado da fé em cada um, é interessante nos questionar: de onde vem esta concepção do inferno como apresentada por grande parte da cultura ocidental? Sou levado a crer fortemente que vem especialmente dos séculos XIII e XIV, e que se deve a uma das figuras mais importantes da Literatura Universal: Dante Alighieri. O ano de seu nascimento é incerto, mas, baseado em eventos descritos na própria Divina Comédia, a sua obra eterna (sem a menor discussão), deve ter nascido por volta de 1265, e a maioria dos estudiosos acredita que no mês de maio, na cidade de Florença, Itália. Um ano após, em 1266, teria nascido a sua 'amada imortal', Beatrice di Folco Portinari.


Dante Alighieri (1265?-1321)

Dante meets Beatrice at Ponte Santa Trinita, de Henry Holiday (1883)

   Com uma forma de apreço que transcende mais ao amor cortês, no mais autêntico cânone medieval, e tendo a visto poucas vezes em sua vida, a grande idealização que o poeta fez desta personagem é quase que como o sentido salvador para a sua existência. Duas das suas grande obras, a já citada Divina Comédia e um livro de poemas mais líricos chamado de La Vita Nuova foram altamente inspirados em Beatrice, que parece que fazia desaparecer todo o mal que pudesse ter existido na vida dele. Beatrice morreu com somente 24 anos, e foi casada com outro homem que não o poeta, mas algumas vezes aparece em visões, ou sonhos, de Dante e o leva à construção de versos, de palavras, que traduziam a sua vida em um sentido tão completo que encanta até hoje. E a vida do poeta foi tão intensa, marcada por conflitos políticos, dos quais participou muito ativamente, por este amor idealizado, por sofrimento com o exílio, com a questão da Itália dividida (ainda longe de ser unificada e tendo sido invadida por estrangeiros ainda durante o curso de sua vida), que o amadurecimento profundo e toda a inspiração que ele reuniu em sua vida o levaram a desenvolver a ideia da sua obra máxima, e obra das mais importantes para a língua humana e para a cultura ocidental, a já citada Comedia, que somente com Boccaccio, um pouco mais adiante, ganharia o título que foi imortalizado: Divina Comédia. Tendo sido escrita em italiano, tem para esta língua a mesma importância que Os Lusíadas, de Luís de Camões, tem para a língua portuguesa; na época em que foi publicada a obra de Dante, os trabalhos solenes, sérios, eram escritos em latim.


Imagem de uma das versões do Inferno, da Divina Comédia

Dante and Vergil in hell, de Eugène Delacroix (1822)
 
   E o poeta soube amadurecer toda a ideia de obras preliminares, quer fossem de poetas e prosadores eminentes, quer fossem de escribas modestos e anônimos; e estas talvez tenham constituído a fonte de que se utilizou Dante para chegar à concepção, que amadurecia nele, de um poema que, sob o signo da totalidade da vida humana, considerada nos seus aspectos transitórios e eternos, pudesse, à glorificação de Beatrice, unir a justificação e reabilitação de seu próprio destino, truncado pela vileza e crueldade de seus perseguidores. E, nisto tudo, com o Inferno sendo a obra ainda mais instigante das três partes e mais representativa de seu sofrimento, pode-se dizer que as passagens e cenas representadas com grande brilho pelo poeta são o claro na mente de toda a imaginação da cultura ocidental do escuro das profundezas do abismo. É muito incipiente aquele que não crê que haja esta imensa influência... Dante morreu em 1321, com 56 anos de idade, fora de Florença, sua cidade natal e muito adorada, mas para qual jamais voltou em vida a partir do dia em que seguiu para um longo e sofrido exílio. E gostaria de não mais citar o poeta e sua obra nesta postagem porque, obviamente, será motivo de pelo menos três postagens neste blog posteriormente.


Auguste Rodin (1840-1917)

   E a influência forte e ressonante da colossal obra máxima de Dante, aqui essencialmente representada pela primeira parte (o Inferno), se fez sentir em um dos maiores escultores franceses em todos os tempos: François-Auguste-René Rodin, ou, simplesmente, Auguste Rodin. Nascido em Paris, em 1840, é geralmente considerado um embrião da moderna escultura, embora em seus trabalhos não se perceba a rebeldia contra o passado; foi educado segundo conceitos tradicionais e buscou reconhecimento acadêmico em toda a sua vida. Muitas de suas obras foram muito criticadas ainda enquanto vivia porque, apesar da educação tradicional, iam de encontro a esta tradição acadêmica, em que os trabalhos em geral eram decorativos, estereotipados e altamente temáticos. Os seus trabalhos mais notáveis partiram de influências mitológicas e alegóricas, sendo o corpo humano modelado com realismo e havendo uma celebração ao caráter individual e físico. Rodin nunca deixou de ser sensível às críticas ao seu trabalho, mas sempre se negou a mudar as suas ideias e o seu estilo, e esculturas subsequentes foram recebendo o devido reconhecimento do governo e da comunidade artística. Sempre na companhia de grandes intelectuais e artistas de sua época, suas esculturas tiveram um declínio em popularidade após a sua morte, em 1917, mas logo após algumas décadas, o seu legado se solidificou, e hoje continua a ser um dos poucos escultores conhecidos fora da comunidade das artes visuais.


O Pensador

O Pensador 

O Beijo

   Embora seja mais famoso por obras como O Pensador e O Beijo, foi a sua colossal escultura Os Portões do Inferno (The Gates of Hell), encomendada pelo estado francês em 1880 (logo após o mesmo estado ter comprado A Idade de Bronze) na proposta de ser colocada como um portal do nunca erguido Museu de Artes Decorativas (no lugar onde hoje se situa o Musée d'Orsay), que consumiu toda a sua vida e é das obras mais importantes da história da escultura, ainda que tenha permanecido inacabada. A escultura apresenta cenas do Inferno, de Dante; o trabalho de Rodin contém enriquecimentos baseados na própria fantasia deste e em visões de As Flores do Mal, conjunto de poemas de 1857 do também francês Charles Baudelaire (nestes poemas, Baudelaire descreve o homem assombrado por paixões que tanto o deleita como o atormenta; o desejo não conhece limites, mas a satisfação permanece recusada, um antagonismo romântico que irá permear a obra de Rodin até o final do século XIX). Além disto, em Os Portões do Inferno, o escultor também acrescentou elementos da obra Metamorphoses, de Ovídio.


A Idade de Bronze

São João Batista

Batistério, em Florença, Itália

Os Portões do Paraíso, de Lorenzo Ghiberti

Painel Adão e Eva, de Os Portões do Paraíso

Painel Davi, de Os Portões do Paraíso

Painel Esaú e Jacó, de Os Portões do Paraíso 

Lorenzo Ghiberti (1378-1455)

   A exemplo do que fez na sua escultura de São João Batista, quando superdimensionou o personagem em repúdio às acusações de modelagem em A Idade de Bronze, nos Portões ele escolhe usar um grande número de pequenas imagens. A grande influência escultural inicial que recaiu sobre Rodin foram Os Portões do Paraíso, título dado pelo grande Michelangelo à obra de Lorenzo Ghiberti para os portões do Batistério em Florença, Itália. Como nesta obra, o francês procurava inicialmente criar algo como uma história sendo contada em diferentes placas dispostas organizadamente com linhas horizontais e uma grande linha vertical ao centro dos portões, ritmicamente arranjadas e com uma diferença nos focos de luz. Mas, posteriormente inspirado pelo teto da Capela Sistina de Michelangelo, Rodin simplificou este conceito; enquanto as figuras que povoam Os Portões do Inferno começam a emergir do fundo e ganham mais volume, foram abandonadas as barras horizontais entre as seções, e é como se cada cena individual estivesse agora flutuando num mar de fogo. Enquanto que no Inferno de Dante cada classe de pecador é aprisionada no seu anel e círculo específico, nas chamas dos portões de Rodin, estes compartimentos foram fundidos para baixo; no entanto, apesar deste grandioso fluxo, os protagonistas permanecem isolados no seu desespero, cada um deles impulsionado por sua paixão implacável. A estrutura categorizada medieval de Dante dá nexo a um drama mais universal da humanidade mortal, à deriva em um império de noite, condenada em ambos os lados da tumba; em vez de uma moral cristã, Rodin nos confronta com o dilema do homem moderno, para quem toda a orientação clara de valores se extraviou.


Os Portões do Inferno (The Gates of Hell)

Os Portões do Inferno (detalhe)

As Três Sombras (em Os Portões do Inferno)

Os Portões do Inferno (detalhe)

Ugolino e seus Filhos (em Os Portões do Inferno)

Ugolino e seus Filhos (em Os Portões do Inferno)

As Três Sombras e O Pensador (em Os Portões do Inferno)

Amor Fugaz (em Os Portões do Inferno)

Os Portões do Inferno (detalhe)

Paolo e Francesca (em Os Portões do Inferno)

Os Portões do Inferno (detalhe)

Paolo e Francesca

Eterna Primavera

   No alto da escultura, percebem-se representações menores de duas outras obras do artista: As Três Sombras (The Shades) e O Pensador (The Thinker). Esta última, também chamade de O Poeta, mais obviamente remete ao próprio Dante, olhando para baixo (sua obra), mas há estudiosos que vêem aspectos do Adão bíblico, do Prometheus mitológico ou mesmo do próprio Rodin. Outros reforçam a temática de intelectualidade nesta, salientando a representação física áspera do rosto e a tensão emocional emanada dela. Inicialmente, na parte esquerda do portão, existia uma pequena representação de O Beijo, posteriormente substituída por Paolo Malatesta e Francesca da Rimini, os amantes citados na obra de Dante que foram assassinados pelo marido ciumento de Francesca enquanto se beijavam; são, assim, representados como amantes condenados a estar para sempre presos um ao outro em um abraço, embora nunca para saciar a sua paixão. Ainda no portão à esquerda há uma representação de Ugolino e seus filhos (Ugolino and his children). Enquanto estas duas pequenas representações podem ser claramente distinguidas em ambos os portões, bem como na obra de Dante, o escultor criou um conjunto de aproximadamente duzentas figuras representando as almas condenadas no submundo, desejosas de escapar dos tormentos do inferno. É interessante notar que, no portão da direita, há outra representação de Paolo e Francesca, em uma pequena escultura chamada de Fugit Amor (Amor Fugaz), e Paolo tenta sustentar Francesca, que cai... Podem-se observar ainda as representações de Meditação (Meditation)Eterna Primavera (Eternal Springtime), e Eu Sou Bonita (I am Beautiful), entre outras.


Os Portões do Inferno (versão do Musée d'Orsay)

   A obra, em seu tamanho final (ainda que inacabado), atingiu dimensões de 7,5 x 4,0 metros. Embora o escultor tenha percebido por volta de 1887 que o Museu de Artes Decorativas jamais viesse a vingar, ele persistiu no trabalho desta escultura pelos seus aproximadamente 40 anos de vida após o início dos trabalhos. A obra Os Portões do Inferno pode ser considerada o seu projeto de vida, tendo registrado todos os diferentes estilos e assuntos que emergiram de suas ideias ao longo de sua vida artística. Foi somente em 1900, na grande retrospectiva do artista em Paris, Place d'Alma, que a escultura foi apresentada ao grande público, ainda como modelo em gesso (mas sem muitas das figuras projetadas na versão em bronze). Hoje, no Musée d'Orsay, existe uma versão em gesso, mas uma das versões cabais em bronze se encontra no Museu Rodin, também em Paris; outras das versões em bronze podem ser encontradas no Museu Rodin da Filadélfia, nos Estados Unidos da América, e no Museu Nacional de Arte Ocidental em Tokio, no Japão.


No Museu Rodin, em Paris, contemplando Os Portões do Inferno

   Com toda a influência que permeou a sua criação, e tendo o artista se ocupado dela por grande parte de sua vida, e nunca a tendo concluído como desejado, a importância desta obra para a escultura é imensurável. O deleite na contemplação de cada detalhe da escultura é tão grande que reforça o poder que tem a influência de um grande poeta que passou por este mundo há quase mil anos. Reforça-se, ainda, a importância e o papel mais sublime que tem a arte na vida de cada um de nós. Os Portões do Inferno é uma obra-prima inquestionável!