sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Definitely Maybe

   Olá a todos! Bom, começando com algo muito consistente com meu gosto musical (acho que não poderia começar com algo diferente), esta semana tratarei de apresentar para aqueles que ainda não o conhecem o primeiro e mais histórico álbum de uma banda que marcou muito a minha vida, o Oasis. O álbum Definitely Maybe, lançado na Inglaterra em 30 de agosto de 1994 (pouco depois da Copa do Mundo do tetra), é um daqueles poucos álbuns em que todas as músicas são muito importantes na carreira da banda; é muito fácil gostar de qualquer uma das músicas tocadas ao acaso.

Capa do álbum ´Definitely Maybe´

   O grupo surgiu em Manchester, na Inglaterra, em 1991; no início, a banda era chamada de The Rain (em homenagem ao b-side dos Beatles chamado de Rain) e Liam Gallagher tinha acabado de se tornar o novo vocalista. Quando Noel Gallagher, seu irmão mais velho, entrou na banda, exigindo ser o principal letrista e guitarrista, a banda passou a se chamar Oasis (mas este nome foi dado por Liam, e não por Noel; só como detalhe, antes deste fazer parte da banda, Liam era o principal compositor da banda, e isto começou a ser resgatado já no Oasis a partir do quarto álbum de estúdio, chamado Standing on the shoulder of giants).


   Já se passavam 3 anos da nova formação, portanto, quando o álbum Definitely Maybe foi lançado. Foi lançado quando 3 de suas músicas já tinham sido divulgadas como singles (Supersonic, em 11 de abril de 1994, Shakermaker, em 13 de junho de 1994, e Live Forever, em 8 de agosto de 1994). Ao ser lançado, essa obra-prima se destacou imediatamente nos meandros da história, especialmente por dois motivos: foi o álbum de estréia mais rapidamente vendido de todos os tempos na Inglaterra em sua época de lançamento, e foi uma contraparte do rock britânico ao estilo que vinha prevalecendo no meio do rock mundial, o grunge; a partir de então, o rock do Reino Unido estaria em constante ascensão novamente, e o grunge, prevalecendo nos EUA, começava a perder peso. Lendo sobre os bastidores da produção do álbum, descobri que este quase não foi lançado por vários problemas com produtores; nas últimas, meio que como por milagre, o álbum foi produzido e lançado para o mundo, para mais longe até, para as estrelas! Isto leva a uma reflexão muito importante: muitas vezes, muitas mesmo, a diferença que existe entre você conquistar aquilo que deseja demais após um longo esforço, e que faz tudo fazer sentido pra você, é muito pequena, algumas vezes quase nada.


   O álbum é fantástico por vários aspectos, desde a capa clássica, com tons em azul e amarelo que lembram um quadro de Van Gogh, até o conteúdo altamente cativante de suas músicas, tanto em termos de letra como de melodias, estas que não saem da cabeça de quem as escuta. A primeira música, Rock 'n' Roll Star é a preferida do Noel, como ele sempre diz em entrevistas que faz; segundo este, é uma das poucos músicas do grupo em que ele realmente quer dizer algo para quem o ouve, e não algo introspectivo... Ao ouvir a música e fazer uma meditação sobre o tema, é como se você de repente se tocasse e pensasse: 'Puxa, como ninguém disse isso antes?'. É uma perfeita música de puro rock 'n' roll, que seria fantástica como estréia em qualquer álbum de grupos de rock; imaginando como música de abertura de um show ao vivo deste estilo, não pode haver nada melhor! Ao ouvir pela primeira vez a distorção da guitarra do Noel e aquele sotaque britânico do Liam altamente inspirado no John Lennon (aquele mesmo; o único), com sua postura ao microfone altamente original e característica, a experiência é fascinante. Veja o vídeo, viaje junto com o texto! hehe 


   A seguir, vem uma música que não chama muito a atenção numa primeira audição; algumas vezes ouvindo, e ela passa a fazer parter rapidamente do Hall of Fame de todas as outras do álbum: Shakermaker. É uma música que, quando menos se espera, vai ficando presa na sua mente; várias vezes você se pega pensando nela após ouvi-la e conhecê-la. Fica bem mais interessante a partir do verso 'I'm sorry but I just don't know'. Uma única crítica a essa música, mas que não tira um mínimo lustre da mesma, é que ela lembra muito uma outra canção de 1971, de um grupo chamado New Seekers, que foi gravada com o nome de I'd like to teach the world to sing... É muito parecida! E um último detalhe, é que os dois últimos versos da música (Now he stops at traffic lights / but only when they're green) foram criados quando Noel se dirigia ao estúdio num táxi para gravá-la com a banda.
   A próxima música é uma das mais executadas do grupo em todos os tempos e performances ao vivo. Com um apelo altamente jovial e sentido de eternidade, é uma canção cativante, daquelas que se canta com força, elevando-se a cabeça para cima, com os olhos fechados, o coração na cabeça e a cabeça nas nuvens... Dizem que a melodia é baseada em uma canção dos Rolling Stones, chamada Shine a Light, do álbum Exile On Main Street. Remetendo a imagens da infância dos dois irmãos, como em 'Maybe, I don't really want to know... How your garden grows...', segundo Noel, essa é uma daquelas canções para se ouvir quando você estiver meio descontente com a vida, enquanto em um momento de má sorte... Ainda, Noel disse a ter escrito em um momento em que o Grunge estava em alta e que ele estava cansado de ouvir as pessoas somente dizendo que se odiavam e quererem morrer. Virou realmente um hino para todos os fãs do Oasis, e tem uma parte eterna no mundo do Rock, que é o seu absurdamente fantástico solo... Soa como algo transcendental nos ouvidos mesmo de pessoas pouco iniciadas no mundo da música. Esta, sem dúvida, está no top 5 das músicas da banda. E, para registrar, foi essa a música que, ao ser apresentada ao Liam, permitiu que o irmão mais velho, o Noel, pudesse entrar de vez na banda e impulsioná-la a galáxias muito distantes...


   Seguindo adiante, vem Up In The Sky, que é uma canção que, para os que não são fãs do grupo, se descobre depois, e deixa uma sensação verdadeira de: - Puxa, como não tinha me interessado por essa música antes? Como muitas músicas do Oasis, o início remete imediatamente aos ilustres Fab Four, mais especificamente à Ticket to Ride, mas, basta que se inicie a bateria e logo se percebe que é uma canção com vida própria, e com um andamento muito empolgante... A letra é bastante discutida no meio do Rock... Alguns dizem que demonstra alguém usando droga pela primeira vez (mais particularmente a cocaína), outros que é uma canção sobre egoísmo. Para o Noel, é uma canção sobre figuras vigentes na Inglaterra da época (1994) e que ele não tinha ideia de como as pessoas as estavam sentindo, e ainda remete aos tempos dos Beatles de 1966. É uma daquelas músicas que dão uma grande reviravolta na estrutura no refrão, tornando-a especial dentro do álbum... Observe quando chega a parte em que se diz: "You'll need assistance with the things that you have never ever seen / It's just a case of never breathing out Before you've breathed it in"... Demais!!! Outro destaque é para o puro sotaque britânico, como em: Well that's too BAD (veja - BÁD, e não BÉD... hehe). Legal!!!



   A próxima faixa é uma também não tão conhecida pelos não fãs... A altamente original Columbia! É a preferida do antigo guitarrista base da banda (na época dos 3 primeiros álbuns, era ele junto com o Noel) para tocar no palco: o Bonehead. O dueto no refrão entre os dois irmãos é viciante. Foi escrita em homenagem ao Hotel Columbia, em Liverpool, em que a banda ficava hospedada e no qual passou a ser barrada depois. Inicialmente, seria instrumental, mas o Noel resolveu acrescentar-lhe uma letra antes de gravá-la. As guitarras cheias e o som sujo da música a fazem uma grande canção de puro Rock. A batida e a levada da música dá ideia de um continuum infinito, um molto perpetuo, como algo que não vai acabar, mas que não sai da sua cabeça. E, por curiosidade, se você observar bem a letra, parece relatar uma experiência com cocaína... O fato de a canção se chamar Columbia representa somente o local em que aconteceu a experiência.


   Ah, agora a próxima canção... A próxima canção merecia, ela sozinha, uma postagem neste blog... É uma música tão fantástica, tão primorosa, que tem várias etapas muito bem definidas e todas são dignas dos Campos Elíseos!!! A música é demais! Apresento-lhes Supersonic. A batida da bateria junto com a palheta deslizando pela corda mais grave do corpo para o braço da guitarra no começo já é um início que faz você ficar envolvido com a música; a seguir, vem o lick inicial distorcido de forma pesada e um pouco suja e a voz inconfundível, com o sotaque britânico carregado, do Liam. O segundo verso, I can't be no one else, tem um CAN'T tão britânico e que atrai tanto que depois disso só queria ler e falar inglês no estilo da Inglaterra, e não do Americano.... hehe. A música segue com uma levada magistral até o refrão INDESCRITÍVEL! Esta é uma parte muito viciante... Representa demais a minha vida adolescente da época! O solo tocado enquanto Liam canta parece uma conversa entre a voz e a guitarra! E o melhor vem com o solo a seguir... Simplesmente demais! A pentatônica é tão bem aplicada que esse solo é eterno (assim como o de Stairway to heaven, do Led Zeppelin; para mim, o melhor solo de guitarra de todos os tempos... Aliás, esta música irá ganhar, sem dúvida, uma postagem neste blog... hehe). Diversas versões surgiram: acústicas, ao vivo, remixadas... Você vai encontrar uma levada mais lenta, uma nem tanto e outras mais rápidas... Estas mais rápidas puxam você para dentro dela! Sabe do que mais: dizem que o Noel a compôs em apenas um dia; pensar nisto, para mim, é definitivamente sensacional! São por estas e outras que ele é um ícone no Rock and Roll. Um ídolo sem dúvida! (Aliás, em arte é sempre assim: nunca se deve confundir o homem com o artista; o Noel pode ter vários defeitos, como qualquer um de nós, mas isto não tira o seu brilho artístico sob nenhuma hipótese! Devemos, acho, sempre pensar assim com relação a estas pessoas!) Um detalhe interessante é que o Noel escreveu as canções dos 3 primeiros álbuns do grupo (os melhores, sem dúvida) sob forte efeito da cocaína (nas suas palavras: the old Colombian marching gear); ele achava que deveria voltar a ela depois em sua vida para voltar a criar álbuns brilhantes como os primeiros... Mas, resolveu que a vida é mais importante! A letra é uma das mais nonsense da história do Rock, e o seu riff de guitarra um dos mais viciantes; arrisco-me mesmo a colocar o riff ao lado mesmo das de músicas como Smoke on the water, do Deep Purple; ambos são demais viciantes! Enfim, uma habitante dos Campos Elíseos do Rock! Vou colocar o vídeo do clip original abaixo, mas a seguir, colocarei uma versão ao vivo para que se comparem as versões (ao vivo, fica mais energética).






   Bring it on down é uma música menos executada nos setlists do grupo, mas é uma música com um apelo de revolta, guitarras distorcidas, som sujo, e com um sotaque britânico de tirar o fôlego mesmo aos ouvidos menos iniciados! Fala, também com a influência de drogas e aquela coisa toda, de seguir adiante independente da sua situação atual; é mais ou menos como o Oasis no início da carreira, ainda por baixo na mídia e no mundo da música. Ia ser o primeiro single a ser lançado, mas aí o produtor do álbum, Alan McGee, ouviu Supersonic, e aí ele resolveu mudar o primeiro single! hehe Boa escolha! Apesar do exposto, Bring it on down é uma música que é preferida de muitos fãs da banda! É uma excelente canção, sem dúvida! A versão ao vivo abaixo é simplesmente fantástica!!! Não duvidem disto! hehe




   A seguir, uma outra obra-prima do Rock clássico: Cigarettes and Alcohol! O título diz tudo! É bem diferente das músicas do grande Renato Russo, por exemplo, em que o título é algo, muitas vezes, diferente do conteúdo da música! Aqui, o título é o tema! Em uma entrevista, uma vez, o Noel declarou que o conteúdo de muitas músicas do álbum era um apelo ao grupo, como deixar Machester e atingir o apogeu do brilho do sol, com muita bebida e droga pelo resto de suas vidas (componentes da banda)! É bem assim mesmo! Mais uma prova da posição do álbum diante do mundo do Rock and Roll! O riff do início é uma cópia escancarada do clássico Get it on, do T-Rex... O Noel nunca negou isto, e acrescentou que estava estudando riffs clássicos e antigos para adaptá-los em suas músicas. No final, a música faz grande referência às noites de farra na Inglaterra; pura e simplesmente! A versão abaixo é o clip original; a seguir, está uma versão ao vivo que se não fizer você pular da cadeira, é porque você deve estar muito doente! Ver a multidão cantando com o grupo a letra inteira da canção não tem preço! Fantástico!







   Digsy's Dinner é uma música com uma melodia muito agradável, mais suave, e que surgiu de uma brincadeira no estúdio entre os componentes da banda e um amigo deles, Digsy, que inclusive tinha uma outra banda. A canção é meio nostálgica na letra, relatando um encontro em um jantar na casa de um amigo. Representa simplesmente o que se está dizendo, sem referências metafóricas ou coisas do tipo. A execução é tocante! Outra pérola!




   A canção seguinte é magistral! Noel afirmou que foi convidado a lançar um 5º single do CD com esta música, a brilhante Slide Away, mas se recusou a lançar porque achava ridículo um álbum de estréia ter 5 singles... hehe Demais, não? Esta é uma música romântica, mas sem ser balada! É Rock, e dos bons! Noel ganhou inspiração para escrevê-la com sua namorada na época, Louise Jones, com quem ele viveu por 6 anos. Foi um relacionamento conturbado, cheio de brigas e separações. Um detalhe sobre a música é que Noel diz que é a melhor performance de Liam nos vocais em todas as músicas do Oasis. É uma música viciante também, ideal para casais! O refrão tem uma letra cativante: "Now that you're mine, We'll find a way of chasing the sun... Let me be the one that shines with you, in the morning, we don't know what to do... Two of a kind, We'll find a way to do what we've done... Let me be the one tha shines with you, and we can slide away". É como alguém dizendo 'Vamos fugir para bem longe' para você! Hehe Belíssima música! Após a versão de estúdio, abaixo, segue uma grande interpretação acústica do guitarrista, o ícone Noel! Sensacional!






   A última música foi a primeira que conheci deste álbum. Como muitos fãs do Oasis, comecei a conhecê-los pelo segundo álbum, o What's The Story (Morning Glory), com a premiadíssima Wonderwall. Depois que conheci Married With Children fiquei tão fascinado com a música que quis conhecer tudo sobre o Oasis, e assim me tornei um fã dedicado da banda! Esta canção é uma versão acústica tão interessante e gostosa de ouvir que é impossível não ficar tocado por ela... Também surgiu do relacionamento de Noel com sua namorada na época, a já comentada Louise Jones. O verso "Your music's shite, it keeps me up all night" é dela, e o Noel colocou na música. A parte final, em And it will be nice to be alone for a week or two... é demais! No mais puro estilo voz e violão, esta música alçou fãs no mundo todo, e fecha o álbum de modo majestoso! Uma verdadeira obra de arte!



   Enfim, o primeiro álbum do Oasis, o Definitely Maybe, é uma obra tão importante para o mundo do Rock que ainda hoje é considerado o melhor álbum da banda! É difícil se ver hoje em dia um álbum de lançamento tão importante tanto na história da música como na história de uma banda como foi este; e o mais impressionante é que TODAS as músicas são igualmente importantes no álbum. É muito fácil gostar de todas as canções deste disco. Para não dizer que isso é uma opinião eminentemente pessoal, o lugar do disco nas estrelas é tão evidente no mundo da música que em junho de 2006, a publicação musical semanal NME (New Musical Express) no Reino Unido, que existe desde março de 1952, divulgou este álbum como o melhor de todos os tempos, ficando à frente do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, em segundo, e Revolver, em terceiro, ambos dos Beatles. Eu até concordo que não seja o melhor da história, e que seu impacto não se compare aos dois citados dos Beatles, mas isso tudo só mostra a grandeza do álbum, que deve ser conhecido, reconhecido e eternizado. Enfim, este álbum por si só torna o Oasis uma banda imortal! O mundo do Rock é mais rico depois de Definitely Maybe! Escrevi tudo isto porque este disco merecia ser registrado, merecia uma dedicação exclusiva; outro motivo é que, para aqueles que conhecem o Oasis por Wonderwall, Don't go away, Don't look back in anger e Stand by me, há algo fantástico a ser descoberto e que veio antes de todas estas, e que colocou o Oasis num mundo altamente condecorado, com louvores não quantificáveis. Até a próxima! (PS: Desculpe por algum erro ortográfico no texto... O tempo para revisão simplesmente não existe! hehe)